"Abstracts" Paulo Miguel Lopes, Outubro 2011
"Pinturas a Óleo" Olga Alves, Setembro 2011
A Pintura como interacção entre a mente e o corpo
O trabalho que a artista Olga Alves tem vindo a desenvolver tem-se afastado das tendências actuais da arte, dominadas pelo artista programador, ou artista historiador/repórter que investiga o passado, planeia a obra e se distancia da sua execução. Nas obras que produz, privilegia a proximidade física e táctil com o suporte, confia na acção do corpo e da mão e nos instrumentos que mais frequentemente utiliza como os fiéis transmissores da intuição, dos pensamentos e dos sentimentos sobre a tela. Neste domínio, não lhe interessa o carácter puramente artesanal da reprodução acrítica de imagens, fotografias ou modelos, mas a interacção entre a mente e o corpo, a obra única como receptáculo das variações do estado de alma, do humor e da sensibilidade.
As obras que Olga Alves tem vindo a produzir podem dividir-se fundamentalmente em dois grupos: no primeiro o espaço da tela é subdividido em segmentos horizontais ou verticais, por vezes com orientações contrárias, onde são legíveis ritmos, contrastes mais ou menos evidentes e entidades cromáticas de fundo/sobre - fundo que criam uma unidade que tende a assimilar as variações da luminosidade ambiente e do contexto; o segundo grupo de obras é formado por uma série de trabalhos que têm uma orientação dominante, geralmente vertical, com contrastes de cor mais subtis que numa observação afastada tendem para o monocromatismo. Numa leitura mais próxima destas obras identificam-se inumeráveis filamentos, com maior ou menor espessura, gerados por diversas camadas de tinta sobreposta que preenchem toda a superfície da tela, e que se encontram dispostos num paralelismo não autoritário que aceita pequenos desvios e irregularidades. Aqui o fundo pode surgir em primeiro plano, quando a tinta aplicada assume um carácter corpóreo e o sobre - fundo pode preencher os espaços mais próximos da superfície da tela - com menor revelo - ou ocupar parcialmente os filamentos de massa mais avançados na direcção do observador. Neste último grupo, as obras são mais topográficas, no sentido da acentuação dos relevos e das depressões da superfície e por isso as texturas são mais ricas.
Em ambos os casos a cor é o factor impulsionador, surgindo de um processo de múltiplas associações que contraria a aplicação directa das tintas a óleo disponíveis no mercado sobre o plano da tela. A afinação da cor utilizada resulta de um processo continuado de experimentação que tende para a aceitação das cores existentes na Natureza que lhe está próxima e a rejeição das cores fortemente contrastantes utilizadas na publicidade e nas embalagens de produtos comerciais que induzem os indivíduos a uma alegria efémera e ao consumo.
As suas obras animam-se a partir de um processo de justaposição/remoção de pigmentos que revela etapas anteriores e convergem para o momento temporal de fixação da estabilidade da obra. Esta estabilidade não corresponde só ao momento definitivo da obra, mas também anuncia que esta se encontra preparada para a interacção com o contexto e com o público.
Francisco Portugal e Gomes
Arquitecto
"Nothingness" Laércio Soares, Julho 2011
Sem título, 2008
tinta-da-china sobre papel
Sem título, 2008
tinta-da-china sobre papel
Sem título, 2009
tinta-da-china sobre papel
Sem título, 2009
ecoline sobre papel
(in)sustentável leveza, 2008
ecoline sobre papel
"Trabalhos sobre papel" - Paulo miguel Lopes, Maio 2011
S/título, 2005
tinta-da-china sobre papel
110x70cm
S/título, 2005
tinta-da-china sobre papel
110x70cm
S/título, 2005
tinta-da-china sobre papel
70x110cm
S/título, 2005
tinta-da-china sobre papel
70x110cm
S/título, 2005
tinta-da-china sobre papel
70x110cm
S/título, 2005
tinta-da-china sobre papel
70x110cm
S/título, 2005
Gouache sobre papel
110x70cm
S/título, 2005
Gouache sobre papel
110x70cm
"A imagem da folha de papel vazia, ou melhor, em branco. O papel e mais nada. A cabeça esvazia-se de vozes e figuras que não param de girar. Árdua tarefa. No epicentro desse varimento pode ser que se abra um intervalo, para não fazermos nada, para ficarmos a olhar para a parede em frente, sem palavras, como a grande vaca ruminante.
Os olhos da vaca em frente à folha de papel: ao principio era a respiração, depois a claridade da ausência de pistas. Estamos perante um vazio onde fragmentos flutuam, aqui e ali, sem nome nem regra. Se seguirmos um desses fragmentos pode ser que o universo se desequilibre. Vamos levar o desequilíbrio até ao fim: pode ser que qualquer coisa apareça. E aparece.
Linhas que formam estruturas, frágeis. Desenhos de linha. A linha que percorre ao comprido o papel e que se liga a outras linhas forma o príncipio de uma estrutura que pode ser muita coisa - nós não sabemos. Sabemos só onde ela se estica e se ergue, onde ela pesa e se desmancha. Sabemos o que nos é dado a ver nos desenhos de Paulo Lopes: a presença de uma grelha esquelética que nunca se dá como um todo e que varia, deformando-se, em cada desenho continuando, repetindo o seu príncipio, para lá dele."
Francisca Carvalho






