S/título, 2005
tinta-da-china sobre papel
110x70cm
S/título, 2005
tinta-da-china sobre papel
110x70cm
S/título, 2005
tinta-da-china sobre papel
70x110cm
S/título, 2005
tinta-da-china sobre papel
70x110cm
S/título, 2005
tinta-da-china sobre papel
70x110cm
S/título, 2005
tinta-da-china sobre papel
70x110cm
S/título, 2005
Gouache sobre papel
110x70cm
S/título, 2005
Gouache sobre papel
110x70cm
"A imagem da folha de papel vazia, ou melhor, em branco. O papel e mais nada. A cabeça esvazia-se de vozes e figuras que não param de girar. Árdua tarefa. No epicentro desse varimento pode ser que se abra um intervalo, para não fazermos nada, para ficarmos a olhar para a parede em frente, sem palavras, como a grande vaca ruminante.
Os olhos da vaca em frente à folha de papel: ao príncipio era a respiração, depois a claridade da ausência de pistas. Estamos perante um vazio onde fragmentos flutuam, aqui e ali, sem nome nem regra. Se seguirmos um desses fragmentos pode ser que o universo se desequilibre. Vamos levar o desequílibrio até ao fim: pode ser que qualquer coisa apareça. E aparece.
Linhas que formam estruturas, frágeis. Desenhos de linha. A linha que percorre ao comprido o papel e que se liga a outras linhas forma o príncipio de uma estrutura que pode ser muita coisa - nós não sabemos. Sabemos só onde ela se estica e se ergue, onde ela pesa e se desmancha. Sabemos o que nos é dado a ver nos desenhos de Paulo Lopes: a presença de uma grelha esquelética que nunca se dá como um todo e que varia, deformando-se, em cada desenho continuando, repetindo o seu príncipio, para lá dele."
Francisca Carvalho